domingo, 12 de setembro de 2010

Crônica do companheiro Lucas Morais a respeito das eleições

As eleições e a independência do povo brasileiro

Lucas Morais
No contexto das eleições brasileiras, a candidatura do “economista”* José Serra, ex-governador do Estado de São Paulo e membro do Partido da Social-Democracia Brasileira, começou com três duros golpes. O primeiro foi operado pelo igualmente tucano Aécio Neves (PSDB-MG), então Governador do estado de Minas Gerais, que se empenhou na disputa partidária interna pela decisão da candidatura à presidência mediante referendo partidário, em que o mais votado seria o candidato do partido, abrindo a possibilidade de uma chapa puro-sangue, com Aécio à testa da máquina tucana nacionalmente.

O primeiro duro golpe foi dado, na verdade, às ordens de Fernando Henrique Cardoso, “Rei” do Partido e ideólogo defensor das perspectivas neoliberais das escolas norte-americanas, comprovadamente atuante como funcionário da Fundação Ford**, atuando politicamente e ideologicamente a partir de instituições acadêmicas, com larga influência política dentro do PSDB. Ao defender uma candidatura paulista, com Serra à Presidência e Aécio como seu vice, FHC optou pela pior tática na tentativa de (re)conquistar o Governo Federal e implementar políticas já adotadas pelo estado de São Paulo sob os governos tucanos, bem como as criminosas contrarreformas neoliberais das quais José Serra fora um dos protagonistas mais centrais, à frente no Governo FHC (1994-2002) do Ministério do Planejamento (1994-1998), central para a viabilização das privatizações criminosas e absurdas que viriam a seguir, como foi com a Vale e as telecomunicações, vendidas a preços literalmente de bananas.

Para tirar Aécio Neves da disputa interna, José Serra soltou seus cachorros “semioficiais”. Seu companheiro de turno, o jornalista Juca Kfouri, solta em seu blog uma postagem que sugere que Aécio Neves, em uma festa no Rio de Janeiro, teria agredido sua namorada em público, dando a entender inclusive alterações psicológicas em função do uso de drogas. Posteriormente, um editorial do jornal simpático aos tucanos, O Estado de S. Paulo, através do editor Mauro Chaves, publica um discurso em que começa e termina com a menção “nonsense” de “Pó pará, Governador?” (Ver “Pó pará, Serra!”, de Marco Aurélio Weissheimer).

Diante destas agressões, Aécio Neves teria supostamente solicitado a jornalistas do jornal Estado de Minas para que levantassem informações acerca de José Serra e seus aliados, para que, caso necessário, pudesse responder ao fogo-amigo. Dentro deste contexto, acontece o primeiro vazamento da Receita Federal, que teria fornecido informações preciosas para o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que trabalha atualmente para o Grupo Record, e promete lançar em 2011 seu livro sobre a privataria corrupta que ocorrera nos governos FHC, chamado “Os Porões da Privataria”. Aécio Neves, então pressionado pela “massa cheirosa” do tucanato paulista, ao fim de 2009, a assumir o papel de candidato a vice-presidente, ofuscado por ninguém menos que José Serra, desiste desta promessa política suicida, e decide se lançar para o Senado representando o estado de Minas Gerais, forjando seu candidato a Governador, Anastasia, e sendo também o único cabo eleitoral efetivo de todo o quadro dos demotucanos (Democratas + PSDB) em todo o Brasil, cabendo a ele o papel de derrotar a penosa aliança dos petistas mineiros com o rolo compressor das rádios comunitárias, o obscuro funcionário da Rede Globo Hélio Costa, o cirurgião do aborto do projeto de televisão digital aberta que estava sendo gestada por pesquisadores da UnB em parceria com outras universidades do País, entre diversas outras políticas entreguistas quando esteve à frente do Ministério das Comunicações.

Entretanto o quadro dos golpes não se encerra aí. Antes mesmo de se cogitar Aécio Neves como vice na chapa de José Serra, um candidato a vice já havia sido desenhado por FHC e Serra. Eis o segundo golpe. Seria ninguém menos que José Roberto Arruda (DEM-DF). Em uma reunião entre representantes dos governos do Distrito Federal e de São Paulo, José Serra, com a mão carinhosamente apoiada nos ombros de José Roberto Arruda, dizia que para as próximas eleições, o eleitor poderia finalmente votar em um careca e eleger dois, deixando ali claro suas pretensões e ambições. Serra pensa que nasceu para presidir este país e o que está na frente dele é obstáculo. Entretanto, uma testemunha do esquema da quadrilha forjada por José Roberto Arruda não somente flagrou, como filmou todo o processo, exibindo imagens a todo o Brasil de um Governador do Distrito Federal, representante nacional do partido Democratas (composto por banqueiros e latifundiários), sendo preso com provas explosivas, com vídeos que mostrava a ocultação de maços de dinheiro em meias. Foi o primeiro governador na história do Brasil a ser preso, extraordinário em um país em que reina a impunidade judicial com relação aos políticos. A mídia oligarca dos Marinho, Mesquitas, Maiorana, Magalhães, Sirotsky, Collor, Sarney, Frias, Maias, Franco, entre outros, não noticiou a relação de Arruda e Serra e, após o esfriar do escândalo, jogou panos mornos e, desde o início de 2010, não pronuncia-se mais sobre o “Escândalo do Mensalão do DEM”. José Roberto Arruda continuou preso até o dia 12 de abril de 2010.

O terceiro golpe fora dado pela própria indefinição do prepotente José Serra que, se fosse possível, seria candidato a presidente com sua filha, Verônica Serra, como vice, dado que esta sim é de confiança do líder tucano. A coligação “O Brasil Pode Mais”, representada pelo PSDB-DEM-PPS-PTB, deveria então definir através de um consenso entre o alto birô do tucanato paulista junto ao birô dos DEM quem seria o vice da chapa. Entretanto, Serra deixou o tempo esgotar, tendo os representantes do DEM ameaçado sair da coligação em função da indefinição e não nomeação de um quadro deste “partido”. Eis que o playboy mal chamado Índio da Costa, representante dos Democratas do Rio de Janeiro, inicia sua campanha como um garoto eufórico, disparando contra o PT afirmando que o Partido dos Trabalhadores tem relações com as FARC e, por isto, teria relações com o narcotráfico. Nenhuma prova fora apresentada. Alguns representantes da FSP – Força Serra Presidente –, como a cada dia mais decadente revista semanal do Grupo Abril, a Veja, e o jornal da família Frias, a Folha de São Paulo, insistiram nas acusações, enquanto o PT negava veementemente em cartas públicas e ameaçando recorrer na justiça contra a irresponsabilidade golpista e imunda dos tucanos. Poucas semanas depois de tais acusações sem provas, o presidente recém-eleito da Colômbia, o ex-ministro de Defesa de Álvaro Uribe, Juan Manuel Santos, disse em entrevista à Veja, nas páginas amarelas, que ele mesmo já teve relações com as FARC para negociações. A mentira, como bem disse Lula no dia 6 de setembro, merecendo destaques nos jornais, tem perna curta, muito curta por sinal.

Diante de três golpes frontais, Serra tem diante de si um cenário de colapso, enquanto seu partido e coligados nas eleições regionais para deputados federais, senadores e governadores, apelam para a política do “Salve-se quem puder”. Em Minas Gerais, Milton Nascimento e Lô Borges aceitaram fazer campanha para o candidato de Aécio Neves, Anastasia, mas com um porém: O nome e nem a imagem de Serra podem aparecer. O comitê de campanha de Antônio Anastasia se comprometeu a não exibir Serra.

Enquanto isso, Dilma Rousseff, pelo menos nas pesquisas, quebra alguns recordes; o primeiro, de superar o número de votos obtidos por Lula nas eleições de 2002 e 2006; o segundo que, se esses números se confirmarem no dia 3 de outubro, Dilma terá mais votos que o ator do maior filme de ficção realista de toda a história das eleições norte-americanas, o Yes We Can, interpretado espetacularmente pelo Nobel da Paz, Barack Hussein Obama.

Segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira pela VoxPopuli/Band/IG, Dilma abre 56% contra 21% de Serra, com Marina tendo 8% dos votos.

Diante desta realidade, o PiG*** é a única tábua de salvação para a candidatura de José Serra. A Folha de São Paulo, em sua neutralidade tucana, apoia cada uma das acusações sem provas realizadas por Serra e seu comitê de campanha, ou melhor dizendo, de guerra, como o foi na tentativa de impugnação contra a candidatura de Dilma Rousseff, acusando-a de ter mandado um suposto grupo de inteligência de seu comitê de campanha para levantar dados obtidos no vazamento da Receita Federal, alegando que ela está envolvida inclusive no escândalo nacional. Este absurdo foi rechaçado e repudiado não somente entre o espectro político petista e da esquerda em geral, mas também por liberais e conservadores críticos à ausência de projetos e programa da candidatura de Serra.

Dilma e as eleições

Muitos analistas já dão a fatura como liquidada em função da desestrutura e do desfavorecimento das condições políticas atuais, com Lula como o maior cabo eleitoral de toda a história brasileira, e apoiam inclusive o futuro Governo Dilma, que já deu sinais de que terá atenção especial com os investidores financeiros.

Dilma contou com ótimas propagandas eleitorais, mostrando sua vida pregressa, sua história pessoal e política, deixando aberta sua vocação democrata e republicana, de desenvolvimentismo social-liberal. Dilma Rousseff é mineira, atleticana, e nascida em Belo Horizonte. Caso se confirme sua eleição no primeiro turno, será a primeira mulher a assumir o cargo de presidente da República na história brasileira, acompanhando as experiências do Chile (Michelle Bachelet) e da Argentina (Cristina Kirchner).

Para o Governo de Dilma, o Governo da coalizão do PT e PMDB de Lula legou o Pré-Sal, relações exteriores que elevam o Brasil ao status de potência mundial, estabilidade econômica e crescimento da renda da classe trabalhadora (em função do fortalecimento do consumo interno), redução de 40% da pobreza extrema e ascensão de milhões de famílias aos bens de consumos industrializados, como carros e eletrodomésticos. Somente no final deste ano de 2010, milhares ou talvez milhões de brasileiros irão viajar de avião pela primeira vez. Dilma terá a oportunidade de governar o país em excelentes condições políticas e econômicas, e isso tranquiliza inclusive os mais importantes setores do capital financeiro. O Financial Times já tem como certa a vitória de Dilma, e não faz alardes como a máquina de José Serra, que utiliza inclusive da história de Dilma, esta que foi ativista de organizações da esquerda que aderiram à luta armada no Brasil contra a ditadura militar instaurada em 1964, quando José Serra era ainda um jovem ativista e presidente da União Nacional dos Estudantes.

Questões ambientais e sociais latentes

Entretanto, a questão ambiental e social continuam latentes. O capitalismo à brasileira, como cunhou sabiamente Ivan Pinheiro, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro e candidato à presidência da República, trouxe uma elevação da renda das massas, mas, entretanto, os problemas mais latentes da via colonial do capitalismo brasileiro continuam latentes, como é o caso da reforma agrária e da destruição e degradação natural pelas empresas multinacionais.

Marina Silva aparece neste cenário político como a candidata moderna, que defende um desenvolvimento capitalista aliado ao desenvolvimento sustentável das empresas no processo de exploração do meio ambiente. Esta ilusão é vendida e convence a muitos desavisados e ambientalistas que, apesar de todo o contexto que Marina construiu politicamente, votam nela pela questão ambiental. Entretanto, capital sem degradação da natureza é como capital sem exploração do trabalhador, simplesmente impossível. Marina Silva se desfilia em agosto de 2009 do Partido dos Trabalhadores e filia-se ao Partido Verde alegando que o PT abandonou seus princípios e sua ética. Curiosamente, Marina não realizava estas críticas quando estava no PT e poderia ter pedido demissão antes, como disparou Plínio de Arruda Sampaio no primeiro debate entre os presidenciáveis da Rede Bandeirantes. Entretanto, Marina Silva entra em um partido chefiado por um dos filhos do clã de Sarney (Sarney Filho, ex-ministro do Meio Ambiente no Governo FHC) e Fernando Gabeira e, ainda por cima, coloca como seu vice ninguém menos que o presidente executivo da Rede Natura, um bilionário. Além disso, Marina diz abertamente que atuará contra a candidatura de Dilma, posicionando-se como simpática a Serra, mas não poupando críticas quando necessário, para demonstrar sua suposta independência. Esta “independência” é falsa e, Marina, ao optar pelo enfraquecimento da candidatura de Dilma, acaba por fortalecer o golpismo de Serra. Em última análise, Marina entrou em jogo para fazer o jogo da direita, o que mancha sua história com o mesmo veneno que Serra se envenenou.

Em quarto lugar nas pesquisas eleitorais aparece um senhor que tem não menos que 50 anos de participação ativa nas lutas sociais e que tem como bandeira fundamental a defesa da reforma agrária e dos interesses dos trabalhadores. Plínio de Arruda Sampaio agrada os militantes socialistas e simpatizantes daquele Partido dos Trabalhadores que lutava pela reforma agrária junto ao Movimento dos Sem Terra e defendia as lutas dos trabalhadores. Além de Plínio, a esquerda socialista brasileira conta com Zé Maria, dirigente nacional do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados – PSTU –, Ivan Pinheiro, secretário-geral do PCB, e Rui Costa Pimenta, líder nacional do Partido da Causa Operária – PCO. O partido de Plínio, o PSOL – Partido Socialismo e Liberdade –, livrou-se da manobra venenosa encomendada por Heloísa Helena (PSOL de Alagoas), que era manobrar o Partido para um apoio à candidatura de Marina Silva. Logo que os militantes perceberam a guinada de Heloísa, isto foi denunciado e acabou servindo como motivo de endosso a uma candidatura de Plínio. O PV, partido atual de Marina Silva, vota em cada estado de acordo com os interesses regionais, por exemplo, no sudeste e no sul, vota com o PSDB e DEM. Uma aliança deste nível para os ativistas e militantes do PSOL seria um suicídio político e uma degeneração na velocidade da luz.

O mecanismo fundamental que a direita tem hoje no Brasil para fazer valer os interesses dos 25 mil clãs-famílias da República é, sem dúvida, o controle da mídia privada e as leis audiovisuais em vigor para a televisão e rádio. O formato norte-americano torna a disputa favorável às grandes coligações. Com isto, a candidatura de Dilma dispõe da maior parte do tempo de televisão e rádio. Serra abocanha outra parte, Marina o mesmo. Para os nanicos, restam poucos minutos, em todo o processo de campanha, na televisão para promover debates sobre seus programas e políticas. Desta forma, aquela porção política que efetivamente possui programas e propostas para a sociedade brasileira, que é a esquerda socialista do PSOL-PSTU-PCB-PCO, fica refém de seu tempo limitado e necessita adaptar suas ideias aos formatos mais curtos possíveis, eliminando a possibilidade de uma reflexão e forçando estes partidos a apenas levantarem as suas bandeiras para demarcarem território. Com isto, as propostas do PCB, PSTU e PCO aparecem como que dirigidas para o público da esquerda ou cedem o espaço para as pautas dos movimentos sociais, como o PCB tem feito. O PSOL, por sua vez, conseguiu colocar seu candidato no primeiro debate entre os presidenciáveis, que ocorreu nos estúdios da Band, tendo Plínio de Arruda Sampaio se saído melhor que todos os candidatos e obtendo destaque entre os 10 mais tuitados no Twitter internacional. A Rede Globo, para silenciar e ofuscar o debate realizado pela Band, transferiu a final da Copa Libertadores das Américas, em que jogaram a equipe gaúcha Internacional contra o time mexicano Chivas de Guadalajara, para o mesmo dia do debate, desviando os telespectadores brasileiros, tradicionalmente apaixonados pelo espetáculo do futebol, do debate político.

Diante de toda esta conjuntura, o Brasil finalmente logra uma independência dos (des)projetos da direita reacionária e conservadora, e continua firme na defesa da democracia liberal arduamente conquistada pelos movimentos sociais. Como bem alertou Marcio Pochmann, diretor do IPEA, nosso país tem pouco mais de 500 anos de idade e menos de 50 de democracia. Defender Dilma dos ataques da direita é obrigação de toda a esquerda que reivindique a democracia. Defender a democracia, mesmo que esta apodrecida, a liberal-burguesa, que expressa os interesses dos maiores grupos econômicos nacionais e internacionais, é uma obrigação de todos que se identificam com o campo progressista, dado que a Constituição de 1988 defende a liberdade de expressão, imprensa, associação, organização, etc. Construir um país livre de controles estrangeiros, militares, das oligarquias, da mídia privada e do conservadorismo político deve unir todo o espectro democrático e popular brasileiro. É este o projeto que sairá fortalecido destas eleições. Em torno desta independência, da reforma agrária, do fortalecimento dos movimentos sociais, da defesa da liberdade de expressão e da democratização/socialização dos meios de comunicação, entre tantas outras questões tão latentes é que deve ser forjado um movimento das massas brasileiras. A ruptura histórica operada pelo Partido dos Trabalhadores é fundamental e abre perspectivas que podem excluir as elites do mando a que sempre estiveram acostumados. É por isto que, diariamente, a ampla aliança neoliberal precisa atacar a Bolívia, as FARC, Hugo Chávez, Ahmadinejad, etc. Porque falta projeto de país para uma direita desesperada e precisam demonizar todos aqueles que o Pentágono-CIA-Washington designam como “terroristas”.

A coalizão midiática do demotucanato não tem convencido mais a sociedade brasileira. “Ei Rede Globo, o povo não é bobo!”. Quem está perdendo as eleições são a Veja, a Folha de São Paulo, a Rede Globo e todos aqueles que se unem para salvar o barco tucanic, com um capitão de bordo caduco por seu próprio veneno. Sairão desmoralizados de todo este processo. Entrarão para a história brasileira como entraves ao progresso social.

O povo brasileiro pode hoje respirar uma independência que começou a ser forjada pelos movimentos sociais durante a resistência à ditadura militar brasileira. É esta independência que devemos celebrar hoje no dia 7 de setembro de 2010.



* José Serra não apresentou o diploma e, no entanto, seu partido anteriormente criticou exaustivamente o fato da suposta “incapacidade intelectual” de um ex-torneiro mecânico ter a responsabilidade de ser o primeiro operário a se tornar o Presidente da República Federativa do Brasil.



** Ver: http://argemiroferreira.wordpress.com/2010/01/19/fhc-e-a-guerra-fria-cultural-da-cia/ Ou adquira o livro em: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/2067729/quem-pagou-a-conta/?ID=BB6800B27DA09070F31090384



*** Partido da imprensa Golpista, termo cunhado por Paulo Henrique Amorim e utilizados pelos ativistas em blogues e sítios na internet brasileira.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Acima do meu umbigo

Acima do meu umbigo
não tem azar
não tem amigo
não tem pernas ao ar
não tem coração partido

Não tem avião quebrado
não tem alienação
não tem jogo azarado
não tem rato, gato ou cão!

Não tem arma na mão
Não tem banco de réu
Não tem 7 palmos abaixo do chão
Nem kilômetros no céu

Não tem guerra, granada
Não tem multidão alucinada
Não tem paz desenfreada
Não tem nada,

Senão eu e tu
e pra isso,
não tem rima
não tem métrica
não tem razão
não tem umbigo
mas tem
só tem
eu e tu.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ou não...

Despertamos todos os dias de um pesadelo irreal para um real, sem graça alguma, percorremos o dia como um preso percorre o corredor da morte. Engolimos todas as tardes os mesmos desprezos de sempre, como um ganso prestes a se tornar um delicioso, sangrento, caro e desprezível foie gras. Não temos motivos pra sorrir, a não ser quando se trata de observar o sofrimento alheio, de modo a tentar esquecer do nosso. As bobagens do dia-a-dia nos alienam; futebol, cerveja, tv, religião. Vivemos, na verdade, um dia após o outro, sabendo o nosso fim e tendo certeza que nossa existência não é, de forma alguma, importante.
Não há motivos para não ser pessimista. Ou não...

Acordamos todos os dias manifestos de sonhos lindos. A nossa vida é um sonho. Algo que tem de ser valorizado. Se não são gloriosos os dias que passamos com nossos amores e afetos, o que são? Se não são maravilhosas as tardes em que a felicidade bate na nossa porta, como se pedisse companhia, se sentasse à mesa e jogasse uma canastra, o que são? Não há algo mais adorável do que sentir o desprezo alheio e retribuir com carinho, compaixão, amor e perdão. Não há nada mais gratificante do que ver as pessoas ao seu lado sorrindo. E ver as que estão longe de ti também, a sorrir. Afinal, qual é o nosso papel nessa vida, senão fazer quem amamos feliz? E que bonito seria, se amássemos a todos! Viver e ter a oportunidade de transformar a sua existência em algo importante! Isso é o melhor de tudo! Hoppípola.
Não há motivo algum para não ser otimista!!!! Ou não...

Esse texto pode não ter, pra você, sentido algum. Pode ser só um emaranhado de palavras feias e bonitas, bonitas e feias, sem realmente ter um nexo interessante.
Pode ser o cúmulo da chatice e do tédio! Podem ter sido os 5 minutos mais mal gastos da sua vida!
Ou não...

domingo, 1 de agosto de 2010

Liebe und wie sie richtig verteilt werden sollte

Qual é a diferença? Entre os dias de glória, sorrisos e amores, e os de depressão, insuficiência, dor? As pessoas que me atacam são, no fundo, sempre as mesmas. As que me amam tampouco são diferentes. Convivemos com as duas. Sempre.
Na verdade, somos como um homem de uma perna só, andando num meio-fio que se situa entre dois precipícios; no final da caminhada, há a felicidade. Mas todos sabemos que vamos cair. Todos nós sabemos que nada mais existe, senão a dor.
É imprudência, intolerância minha vir aqui e escrever tudo o que eu não faço. Sim, eu vivo. Sim, eu tento espalhar a alegria. Sim, eu sorrio quando a vida me cerra os dentes.
E, aparentemente, é só isso que ela faz.
Eu acho que nenhum filósofo jamais pensou que o dinheiro deveria ser distribuído. O amor, esse sim, deveria constar em todos os postos de saúde, em todos os hospitais, em todas as casas e esquinas. A vida virtuosa é inspirada no amor. É uma fama de dois gumes, entretanto, tentar dar amor para uma vida que te desarma e te maltrata. O pior de tudo é saber que, no final das contas, não é ela quem faz isso, mas sim nossa própria existência.
Afinal, quanto mais simples a mentalidade de um ser humano, menos complicada lhe parece a existência.
Deveriam as mentes simples triunfarem? Sim, se elas distribuíssem amor. O amor é uma das poucas coisas que não prejudica em excesso. Diriam os sabidos, entretanto, que o ser humano nunca poderá encontrar a felicidade absoluta. Não há divisão entre mentes simples ou complexas aqui. A insatisfação é a única constante da vida. E ela é sinônimo de existência.
Acredito que na verdade não buscamos pernetas a glória no final do meio-fio, mas sim que somos atraídos como metais e imãs para a dor, para a insatisfação, para a existência.
E ela se encontra no fundo dos precipícios.

M. T.

sábado, 26 de junho de 2010

O Mito do Milagre Chileno

No dia 11 de Setembro de 1973, uma guerra começou. Ao menos foram essas as palavras dos militares que, junto com o general Augusto Pinochet, assumiram o poder naquela data, acabando com o então democrático governo de Salvador Allende. Relatos da época demonstram que o clima era realmente bélico; tanques descendo as avenidas, tropas marchando e ataques aos edifícios do governo; só deve-se ser constatado uma coisa: a guerra só tinha um lado.

Desde cedo, Pinochet e seus apoiadores já tinham o controle da marinha, da infantaria e da aeronáutica. Allende já havia desistido da idéia de organizar uma força armada contra o general e a única resistência que foi oferecida vinha do palácio governamental La Moneda, que na hora contava com um ‘exército’ de 36 pessoas e que fora bombardeado 24 vezes. Allende foi retirado do edifício com a face arruinada. Até hoje não se sabe se ele foi atingido pelas balas, ou se cometeu suicídio, para que os golpistas e a história não o vissem com cara de derrotado.

A oposição política que restara do golpe foi enviada para a ilha Dawson, no estreito de Magalhães, algo próximo a um campo de trabalho forçado siberiano. A cultura do choque, foi aplicada. Os campos de futebol se tornaram campos de extermínio, a Caravana da Morte aumentava sua quilometragem e ditos ‘subversivos’ sumiam, tendo “seus corpos mais tarde encontrados à beira das rodovias ou flutuando nos canais urbanos”(KLEIN, Naomi, 2005). No final das contas, o saldo foi de 3.200 pessoas desaparecidas ou executadas, 80 mil prisioneiros e 200 mil emigrantes políticos.

A ditadura chilena foi, sem dúvida, uma das mais violentas da história da América Latina, entretanto, Pinochet não trouxe só o terror ao Chile; ele trouxe os Chicago Boys e o neoliberalismo. Os Chicago Boys foram um grupo de jovens economistas, educados em Chicago nas doutrinas de Milton Friedman e Arnold Harberger.

Alguns deles já se encontravam a postos no dia do golpe – muitos acompanhando as anotações dos jornais de Santiago. Ao meio-dia do dia 12 de Setembro de 1973 os generais já obtinham sobre suas mesas uma cópia do longo documento referente às tarefas estatais, redigidas pelo periódico de direita “El Mercúrio”, chefiado por Arturo Fontaine. As propostas do governo eram claras e conectadas às apresentadas por Milton Friedman: privatização, desregulamentação e cortes nos gastos sociais. Idéias que outrora, dentro do debate nacional, foram completamente rejeitadas. Agora com o poder em suas mãos, os generais e os Chicago Boys não se defrontavam com nenhum empecilho à implementação de tais políticas.

Perante a dúvida em o que fazer com seu governo – entre utilizar do poder para retornar aos velhos padrões pré-Allende ou fazer uma mudança – Pinochet preferiu a segunda opção: “Não somos um aspirador que suga o marxismo para devolver o poder para esses Sr. Políticos”. Assim, foram sendo empossados em diferentes cargos os chamados “technos” - técnicos - o que remetia a idéia neoliberal de que lidar com a economia é uma questão científica, não abordando as vontades do subjetivo humano.

Entretanto, os humanos sentiram rapidamente o resultado de certas mudanças tomadas pelo governo, entre elas: a privatização de muitas companhias estatais, incluindo alguns bancos, abertura de espaço para a especulação financeira, eliminação do controle de preços, abertura das fronteiras para os produtos importados e corte nos gastos governamentais em 10% - exceto do setor militar.

Essas diretrizes acabaram afetando a vida dos chilenos e também abalando a teoria neoliberal que prega que, ao retirar o Estado dessas diversas áreas de uma só vez, “as leis ‘naturais’ da economia iam reencontrar seu equilíbrio, e a inflação, que indicava aos neoliberais a presença de algo insalubre no mercado, iria diminuir. Isso não aconteceu. Em 1974, a inflação alcançou os 375% - a maior taxa no mundo e quase o dobro do máximo atingido pelo governo Allende”. Ao mesmo tempo, houve uma onda de desemprego, pois a abertura havia inundado o Chile com produtos importados baratos. Negócios locais fechavam e produtos básicos se tornavam artigo de luxo.

Houveram, naturalmente, beneficiados: a elite econômica do país, as companhias estrangeiras e agentes financeiros que lucravam com a especulação conhecidos como “piranhas”. Orlando Sáenz, o presidente da Associação Nacional de Manufatureiros, um dos que havia buscado a ideologia neoliberal para o golpe, arrependeu-se e declarou que o experimento fora “uma das maiores falhas de nossa histórica econômica. Não é possível continuar com o caos financeiro que domina no Chile.”

Questionados sobre o acontecimento, os Chicago Boys argumentaram que o problema pouco tinha a ver com a teoria, mas sim com o fato de que as medidas não teriam sido implantadas da maneira correta. Assim, os próximos passos eram claros: mais privatizações, mais cortes e mais rápido.

Entretanto, os planos fracassando exigiram uma atitude mais forte ainda dos Chicago Boys e dos piranhas: em março de 1975, desembarcam no Chile Milton Friedman e Arnold Harberger. O primeiro foi saudado pela junta militar e pela imprensa de uma forma semelhante como seria saudado uma grande estrela da música. Todos os seus pronunciamentos foram transmitidos ao vivo pelos canais chilenos e suas palavras se tornaram grandes manchetes.
Nesse mesmo período, Friedman tem uma reunião com o general Pinochet e utiliza um dos termos que ficariam famosos mais tarde, mas que até então nunca havia sido pronunciado: “tratamento de choque”. O economista garantira a Pinochet que essa seria o “único remédio, não há outra alternativa”, antecipando a futura primeira-ministra Margaret Thatcher e seu “TINA (There is no alternative)”.
Como alternativas dadas ao presidente estavam algumas medidas pensadas por Friedman, entre elas: o corte de 25% dos gastos governamentais num período de 6 meses, ao mesmo tempo que deveriam ser adotadas políticas de incentivo ao completo livre-mercado. Elas foram seguidas.

Além disso, Pinochet demitiu seu ministro da Economia, logo atribuindo o cargo ao economista Sergio de Castro – um dos líderes dos Chicago Boys. Ele ficaria no posto entre 1974 e 1976, lidando com um dos períodos mais complicados da economia chilena: houve um corte de 27% de uma só vez nos gastos – o que continuou a ser feito até chegar, em 1980, à metade do que havia sido no governo de Allende. De Castro privatizou cerca de 500 companhias públicas e bancos, as companhias locais sofreram novamente grandes conseqüências e as barreiras alfandegárias continuaram sendo removidas.

Mesmo assim, na década de 80 outras medidas foram tomadas: o sistema de escolas vouchers e charters foi introduzido, junto com o pay-as-you-go no setor de saúde, creches, cemitérios e até mesmo a previdência social foram privatizados.
O TINA chileno mostrou seu desdobramento: houve uma perda de 177.000 homens na mão-de-obra fabril entre 1773 e 1783. O PIB caiu em 12% e a produção industrial se reduziu em 28% - índice esse só visto na época da Segunda Guerra Mundial.
Os resultados não surpreendem, uma vez que partimos da utilização de uma teoria até então nunca antes testada. Notamos que o país sul-americano foi nada mais nada menos que um laboratório para os teóricos norte-americanos, onde os resultados, até onde a sua política foi totalmente implantada, foram desastrosos. Baseando-se na idéia de que causar uma recessão ou uma depressão guiará a economia para um bom caminho econômico, os neoliberais desconsideram um ponto importante: a crise gerará pobreza em massa e gerará má distribuição de renda.

Isso foi notado no Chile: a economia contraiu-se em 15% no primeiro ano de implantação das teorias do choque, e o desemprego, que pairava nos 3% durante o governo de Allende, agora chegava aos 20%. Cálculos da época, liderados por André Gunder Frank demonstram que, nos tempos de Allende, uma família chilena gastava 17% do seu salário para compra de pão, leite e utilização de meios de transporte, como o ônibus. O mesmo cálculo, na era Pinochet, demonstrava que a mesma família chilena agora gasta aproximadamente 74% da sua renda na simples compra de pão, enquanto leite e transporte urbanos já eram considerados itens de luxo. Muitas crianças deixaram de ir às aulas ou mesmo desmaiavam em classe, já que uma das primeiras medidas do governo militar fora a eliminação da distribuição de leite durante as aulas – da merenda escolar. Gunder Frank iria escrever depois sobre as medidas de Friedman: “elas não poderiam ser impostas ou guiadas senão com os dois elementos que as completam: força militar e terror político”.

Entretanto, a experiência neoliberal é tomada ainda hoje como um dos exemplos do bom-sucesso da teoria. É importante ressaltar que durante seus 17 anos de governo, Pinochet trocou de direções algumas vezes, e que o período de crescimento econômico estável, na verdade, só começou em meados dos anos 80. A questão é que, por mais afinado que estava o general de seus parceiros de Chicago, a economia chilena em 1982 chegou ao máximo que poderia agüentar: a dívida explodiu, encarou a hiperinflação mais uma vez e o desemprego alcançou 30%. Uma causa importante foi o fato de que os “piranhas”, organismos financeiros dos quais os Chicago Boys livraram de qualquer regulamentação, haviam comprado todos os ativos do país por empréstimo, construindo uma dívida de 14 bilhões de dólares.

Perante tal situação tão instável, só restou ao general uma solução: nacionalizar muitas dessas companhias. Junto com a reestatização, vieram as demissões de muitos Chicago Boys, inclusive do então ministro da fazenda Sergio de Castro. Algumas outras pessoas do grupo que mantiveram relações com os “piranhas” foram procurados mais tarde por fraude.

Só um fator impediu a economia chilena de entrar em uma crise irreconciliável: a não-privatização da Codelco, a empresa estatal de mineração que gerava 85% da receita de exportação do país. Em outras palavras, no caso de uma explosão da bolha financeira, o estado ainda teria uma fonte de fundos confiável. Essa não-privatização afasta o caso chileno de um exemplo de total aplicação das teorias neoliberais.

O que se notou no Chile foi a ascensão de uma pequena elite de classe média alta para uma classe rica, usando-se dos fundos públicos e da dívida para crescer. Foi uma junção do Corporativismo aos princípios neoliberais – uma aliança entre uma polícia política e grandes corporações, atacando principalmente os trabalhadores, que sofreram os maiores danos, enquanto uma parcela mínima da população ascendia.

Essa guerra de ricos contra a classe média e os pobres é a verdadeira história do milagre chileno, sendo os dois últimos grupos os mais atacados, o que também se notou em outros casos como o argentino, indonésio e o brasileiro. Por volta de 1988, quando a economia se estabilizou e já estava em crescimento, “45% da população chilena havia passado a linha da pobreza. Entretanto, 10% dos homens mais ricos do Chile notaram um acréscimo de 83% na sua renda. Em 2007, o Chile continuava tendo umas das sociedades mais desigualitárias do mundo, ocupando a posição 116 de 123 países da lista da ONU, sendo assim o 8º país mais desigual do mundo.
Seriam esses os objetivos da doutrina neoliberal? A teoria do choque seria então não uma terapia para levar um país insalubre a uma condição melhor, mas sim para concentrar a renda desse país na mão de poucos? É essa a idéia que a teoria engloba?

Na época da ditadura chilena, o jornal The Economist havia classificado as políticas no país como “uma orgia de auto-mutilação”. Mal saberia o mundo que, mais tarde, essa auto-mutilação atravessaria seu território, semelhante a uma seita, fazendo com que cada vez mais a terapia do choque afetasse quem menos tem a ver com tudo isso: as pessoas humildes e povos carentes.


Matheus da Costa Tatsch

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Sofrimento pós-schopenhauer

Pelo quê você vive? Qual é o sentido da sua existência? Por que você dedica cada segundo da sua vida a um esforço? Por que você se esforça? Há algum sentido nisso tudo? Qual é o sentido? Qual é o objetivo? Por que você acorda às 6 da manhã e vai dormir já meia-noite com a sensação de não ter vivido o dia? De não tê-lo aproveitado, mas sim dele ter te aproveitado. Diga-me a razão.
Você vive para realizar-se materialmente? Você vive para encontrar a própria felicidade? Você vive para tornar os outros ao seu redor felizes? Qual é a sua função?
Bom, se você busca realizar-se materialmente, prepare-se para sofrer muito.
Se você vive para encontrar a própria felicidade, prepare-se para viver num ciclo vicioso, onde a alegria estará caracterizada em cada novo objetivo da sua busca, nunca tendo um fim real.
Agora, se você vive para tornar os outros ao seu redor mais felizes... aí não tem jeito. Prepare-se para sofrer pra sempre.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Hit the Road, Brazil!

Durante minha estada na Alemanha, lembro-me que a solução para uma semana conturbada era uma relaxante ida a uma pequena disco que havia na minha cidade, Oldenburg, a qual sequer é uma grande cidade. Nunca fui muito de festas, nunca considerei a diversão de uma festa em si como algo que compensasse o esforço no deslocamento, segurança, enfim,... todavia, lá era algo diferente; não havia necessidade de temer sair de madrugada, fosse sozinho, fosse acompanhado; saíamos de bicicleta, no ápice do inverno, sem medo algum e com alegria. A entrada da boate custava 1,50 Euros, algo próximo de R$3,50, imagino. Éramos bombardeados com música de ótima qualidade, pessoas simpáticas e educadas e um ambiente muito agradável – melhor que qualquer disco que cobre em torno de R$ 30, R$ 50 aqui no Brasil.

Tudo bem, o meu tópico não discute sobre a qualidade das boates no mundo - longe disso - o que me chamou atenção naquele dia, foi o fato de o DJ ter tocado ‘Hit the Road Jack’ na sua versão brasileira ‘Pé na estrada’.
A universalidade da cultura brasileira já é conhecida desde a boa época da bossa-nova, de Carmen Miranda, de Tom Jobim. Entretanto, nosso potencial foi, por muito tempo, resguardado somente a esses aspectos e alguns outros (como futebol).
Hoje em dia, temos, todavia, um novo ícone da cultura brasileira nos representando da melhor forma mundo a fora; não é um cantor, não é um músico, não é um futebolista; é, ninguém menos que o presidente da nação.

O aspecto do sistema internacional mostra uma tendência à ampliação da unimultipolaridade, ou seja, ascensão dos países emergentes, discussão sobre novos integrantes do Conselho de Segurança da ONU, demonstrações de fraquezas nos sistemas americano e europeu, entre outras, tudo isso demonstra um poder crescente das menores potências. Sob essa condição, devemos estar atentos às necessidades das nações que emergem, impedindo que os típicos líderes da ordem mundial nos condicionem novamente a uma posição de inferioridade.

Luis Inácio Lula da Silva foi, recentemente, eleito o líder mais influente do mundo. A sua posição frente ao país caracteriza, acima das questões domésticas, acima das questões econômicas, uma representação gigantesca que ‘nunca antes na história’ desse planeta fora visto.

Por isso, por que não deve o Irã enriquecer urânio, uma vez que ninguém comprovou os fins bélicos do mesmo? Afinal, sabemos que as propostas de desmilitarização americana e de outros países não é nada mais do que uma reciclagem forjada – joga-se fora as ogivas velhas, grandes, numerosas e fracas, e continua-se com as novas, pequenas, em menor número e muito mais fortes.

Por que não deve Zelaya e outros receberem anistia do novo presidente Porfírio Lobo, já que o processo todo foi golpista, contra o povo hondurenho e, após o esquecimento da mídia, houve uma intensificação na repressão contra movimentos populares e contra a Frente de Resistência? Fontes da CMI afirmam que desde o golpe, terras foram roubadas, professores e sindicalistas foram assassinados e companhias estatais, como a Hondutel, passaram ao comando de generais que participaram do ‘coup’, como Romeo Vázquez, um dos responsáveis pela subida de Micheletti, ainda ano passado.

Por que deve o Conselho de Segurança da ONU ser baseado em uma situação internacional de 60, 70 anos atrás? Os países emergentes não merecem uma cadeira? Afinal, dentre outros pontos, o exército colaborou com países como Haiti e Timor Leste, que passaram por situações terríveis de pobreza e devastação, e que, vale a pena constar, sofreram também intervenções e influência direta de países como os E.U.A, basta lembrar de Suharto na Indonésia e do domínio americano no Haiti no começo do século passado e depois do apoio aos ditadores Papa e Baby Doc, sem contar outras intervenções futuras nos anos 80 e 90.
O Brasil esteve nesses países, limpando muita sujeira feita diretamente por países que hoje ocupam seus assentos tranquilamente no C.S. Por que então não se deve abrir um espaço para os emergentes? Os primeiros artigos da Carta da ONU, firmada em 1945 não prezavam pela defesa da paz mundial? Pela defesa dos direitos do homem? Igualdade de direitos para todos os povos? Pois então, nada mais justo que a ocupação de uma cadeira permanente para países que tentam seguir tais itens.

Por que não deve a Venezuela ter sua soberania? Pergunte ao povo venezuelano o que fora melhor – os últimos anos ou o último século, onde a terra foi dada de bandeja aos latifundiários, o estado venezuelano foi ‘regarlado’ às empresas americanas?

Por que a cada acontecimento em Cuba constroem-se inúmeras teorias e ignoram fatos concretos em outros pontos do mundo? Os estadunidenses criticam o governo de Raúl Castro, mas adorariam ter um sistema de saúde que funcionasse tão bem quanto o dele.

O mundo clama por câmbios hierárquicos.

Recentemente, em entrevista ao El País, Lula disse que “prefere um carnaval a uma guerra”. Eu espero que, dessa forma, o ‘líder mais influente do mundo’, possa construir uma situação global carnavalesca, alegre e festeira, para que, quem sabe um dia, eu possa ter no Brasil, alegrias como as daquela noite alemã, e para que, quem sabe um dia, o mundo possa ver, no Brasil, alegrias e esperanças que ‘nunca na história’ havia visto.

Matheus d.C Tatsch

domingo, 9 de maio de 2010

E olhando para as ondas
disse: 'hijo, la vida es como las olas
vienen, y regresan, adentran el mar
y así siguen, para siempre a viajar'

e então, descobri a vida;
não pela mensagem bonita
mas pela universalidade
daquela 'frasezita'

sábado, 8 de maio de 2010

É bom

É bom, quando o sino toca e de repente parece estar tudo no lugar certo. Como se uma tempestade tivesse tirado tudo do seu devido patamar e então posto tudo de volta, com a magia de um toque. Um toque pode ser realmente mágico. O bom do toque mágico é que quando o tal vem da pessoa querida, até mesmo um sorriso já transforma seu dia em magia. Mágico. Mágico foi o meu dia.
Magia poderia ser o nome dela.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Alguém diz pras pessoas como elas devem se comportar

É, pois é. A noite se fecha junto com o sorriso e a vontade de realmente fazer algo real. Meus olhos se fecham e as lágrimas escorrem; fosse esse um filme eu ganharia o oscar! Ao meu redor estrelas brilham confiantes sem brilho e eu permaneço semi-vazio. Convivência. É necessário pra mudança. Mas, no final das contas eu deixo de participar da anomia, abro os olhos, sorrio e participo dos 154 milhões. E adeus.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

An evening with Valerie

Ás vezes, tudo some. Sumimos os outros, sumimos o céu, sumimos o chão, sumimos o conforto e o desconforto; sumimos nós. Horas em que tudo parece nada, e não há nada para ser tudo; há o imenso lote carregado de vazio. São horas tenebrosas, são horas do mal, mas, muitas vezes, também do bem. O bem que entra pelos nossos poros, os contaminam, adentram nossas veias e fazem-nas explodir, figuradamente, como balões que tentiavam uma escapada para o infinito, mas que tiveram seus sonhos impedidos pela impetulância repentina de um gesto. Para todos esses momentos, temos – e que bom! - as noites com Valerie.