segunda-feira, 10 de maio de 2010

Hit the Road, Brazil!

Durante minha estada na Alemanha, lembro-me que a solução para uma semana conturbada era uma relaxante ida a uma pequena disco que havia na minha cidade, Oldenburg, a qual sequer é uma grande cidade. Nunca fui muito de festas, nunca considerei a diversão de uma festa em si como algo que compensasse o esforço no deslocamento, segurança, enfim,... todavia, lá era algo diferente; não havia necessidade de temer sair de madrugada, fosse sozinho, fosse acompanhado; saíamos de bicicleta, no ápice do inverno, sem medo algum e com alegria. A entrada da boate custava 1,50 Euros, algo próximo de R$3,50, imagino. Éramos bombardeados com música de ótima qualidade, pessoas simpáticas e educadas e um ambiente muito agradável – melhor que qualquer disco que cobre em torno de R$ 30, R$ 50 aqui no Brasil.

Tudo bem, o meu tópico não discute sobre a qualidade das boates no mundo - longe disso - o que me chamou atenção naquele dia, foi o fato de o DJ ter tocado ‘Hit the Road Jack’ na sua versão brasileira ‘Pé na estrada’.
A universalidade da cultura brasileira já é conhecida desde a boa época da bossa-nova, de Carmen Miranda, de Tom Jobim. Entretanto, nosso potencial foi, por muito tempo, resguardado somente a esses aspectos e alguns outros (como futebol).
Hoje em dia, temos, todavia, um novo ícone da cultura brasileira nos representando da melhor forma mundo a fora; não é um cantor, não é um músico, não é um futebolista; é, ninguém menos que o presidente da nação.

O aspecto do sistema internacional mostra uma tendência à ampliação da unimultipolaridade, ou seja, ascensão dos países emergentes, discussão sobre novos integrantes do Conselho de Segurança da ONU, demonstrações de fraquezas nos sistemas americano e europeu, entre outras, tudo isso demonstra um poder crescente das menores potências. Sob essa condição, devemos estar atentos às necessidades das nações que emergem, impedindo que os típicos líderes da ordem mundial nos condicionem novamente a uma posição de inferioridade.

Luis Inácio Lula da Silva foi, recentemente, eleito o líder mais influente do mundo. A sua posição frente ao país caracteriza, acima das questões domésticas, acima das questões econômicas, uma representação gigantesca que ‘nunca antes na história’ desse planeta fora visto.

Por isso, por que não deve o Irã enriquecer urânio, uma vez que ninguém comprovou os fins bélicos do mesmo? Afinal, sabemos que as propostas de desmilitarização americana e de outros países não é nada mais do que uma reciclagem forjada – joga-se fora as ogivas velhas, grandes, numerosas e fracas, e continua-se com as novas, pequenas, em menor número e muito mais fortes.

Por que não deve Zelaya e outros receberem anistia do novo presidente Porfírio Lobo, já que o processo todo foi golpista, contra o povo hondurenho e, após o esquecimento da mídia, houve uma intensificação na repressão contra movimentos populares e contra a Frente de Resistência? Fontes da CMI afirmam que desde o golpe, terras foram roubadas, professores e sindicalistas foram assassinados e companhias estatais, como a Hondutel, passaram ao comando de generais que participaram do ‘coup’, como Romeo Vázquez, um dos responsáveis pela subida de Micheletti, ainda ano passado.

Por que deve o Conselho de Segurança da ONU ser baseado em uma situação internacional de 60, 70 anos atrás? Os países emergentes não merecem uma cadeira? Afinal, dentre outros pontos, o exército colaborou com países como Haiti e Timor Leste, que passaram por situações terríveis de pobreza e devastação, e que, vale a pena constar, sofreram também intervenções e influência direta de países como os E.U.A, basta lembrar de Suharto na Indonésia e do domínio americano no Haiti no começo do século passado e depois do apoio aos ditadores Papa e Baby Doc, sem contar outras intervenções futuras nos anos 80 e 90.
O Brasil esteve nesses países, limpando muita sujeira feita diretamente por países que hoje ocupam seus assentos tranquilamente no C.S. Por que então não se deve abrir um espaço para os emergentes? Os primeiros artigos da Carta da ONU, firmada em 1945 não prezavam pela defesa da paz mundial? Pela defesa dos direitos do homem? Igualdade de direitos para todos os povos? Pois então, nada mais justo que a ocupação de uma cadeira permanente para países que tentam seguir tais itens.

Por que não deve a Venezuela ter sua soberania? Pergunte ao povo venezuelano o que fora melhor – os últimos anos ou o último século, onde a terra foi dada de bandeja aos latifundiários, o estado venezuelano foi ‘regarlado’ às empresas americanas?

Por que a cada acontecimento em Cuba constroem-se inúmeras teorias e ignoram fatos concretos em outros pontos do mundo? Os estadunidenses criticam o governo de Raúl Castro, mas adorariam ter um sistema de saúde que funcionasse tão bem quanto o dele.

O mundo clama por câmbios hierárquicos.

Recentemente, em entrevista ao El País, Lula disse que “prefere um carnaval a uma guerra”. Eu espero que, dessa forma, o ‘líder mais influente do mundo’, possa construir uma situação global carnavalesca, alegre e festeira, para que, quem sabe um dia, eu possa ter no Brasil, alegrias como as daquela noite alemã, e para que, quem sabe um dia, o mundo possa ver, no Brasil, alegrias e esperanças que ‘nunca na história’ havia visto.

Matheus d.C Tatsch

2 comentários:

  1. texto mega bem escrito. Bom ver que tu não apresentou apenas ideais, mas argumentos também (e principalmente). Teu amadurecimento é notável! Continua assim, cara. E, mesmo tendo ficado confuso em alguns pontos, devo dizer que eu concordo ;D

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  2. Cara, gostei das ideias do texto. Acho muito digno os argumentos citados, como o João Emo falou ali.

    Abrazo!

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