Qual é a diferença? Entre os dias de glória, sorrisos e amores, e os de depressão, insuficiência, dor? As pessoas que me atacam são, no fundo, sempre as mesmas. As que me amam tampouco são diferentes. Convivemos com as duas. Sempre.
Na verdade, somos como um homem de uma perna só, andando num meio-fio que se situa entre dois precipícios; no final da caminhada, há a felicidade. Mas todos sabemos que vamos cair. Todos nós sabemos que nada mais existe, senão a dor.
É imprudência, intolerância minha vir aqui e escrever tudo o que eu não faço. Sim, eu vivo. Sim, eu tento espalhar a alegria. Sim, eu sorrio quando a vida me cerra os dentes.
E, aparentemente, é só isso que ela faz.
Eu acho que nenhum filósofo jamais pensou que o dinheiro deveria ser distribuído. O amor, esse sim, deveria constar em todos os postos de saúde, em todos os hospitais, em todas as casas e esquinas. A vida virtuosa é inspirada no amor. É uma fama de dois gumes, entretanto, tentar dar amor para uma vida que te desarma e te maltrata. O pior de tudo é saber que, no final das contas, não é ela quem faz isso, mas sim nossa própria existência.
Afinal, quanto mais simples a mentalidade de um ser humano, menos complicada lhe parece a existência.
Deveriam as mentes simples triunfarem? Sim, se elas distribuíssem amor. O amor é uma das poucas coisas que não prejudica em excesso. Diriam os sabidos, entretanto, que o ser humano nunca poderá encontrar a felicidade absoluta. Não há divisão entre mentes simples ou complexas aqui. A insatisfação é a única constante da vida. E ela é sinônimo de existência.
Acredito que na verdade não buscamos pernetas a glória no final do meio-fio, mas sim que somos atraídos como metais e imãs para a dor, para a insatisfação, para a existência.
E ela se encontra no fundo dos precipícios.
M. T.
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