terça-feira, 17 de novembro de 2009

Calor

tanto o tempo se passou
que esqueci o que é o tempo
tanto tempo se alastrou
que esqueci o quão quente é o vento

sufocado por átomos
estrangulado, imundo
isso é um bimundo
e não sei sobre qual estávamos

penas no meu hálito
pretas flores florescem
enquanto eu, de hábito
chorando acordo, saudades cem

as cidades, magestrosas
os jardins, as rosas
os beijos e canções amorosas
tudo pra trás, tragédica prosa

a alegria da igualdade
mesmo no mundo desigual
minha raça, idéia, religiosidade
era, perante todos, legal
e nós aqui, de tantas raças
vivendo a par de ameaças...

nada menos é a nostalgia
que relembrar momentos
fortes, intensos; intentos.
um mundo de magia.

Mignon de Goethe me incentiva
porque sua razão sim uiva!
Nur wer die Sehnsucht kennt,
Weiß was ich leide!

não é o bater dos dentes
que me dá saudade
é saber, que estou, entendes...
de volta ao "Brasil" de Andrade!

um abraço para os amigos! Postado ao som de: Vento

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