sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Príncipes e reis do século 21
construindo e reconstruindo castelos
destruindo sonhos, um a um
e deixando um a um, com seus farelos.

Desmunidos atacam corações
corações, desprotegidos, atacam
e como quem pede doações
os pobres corações fracassam.

Outros catam milhos
já nele brilha o olho
o que contará aos seus filhos:

"disseram que soneguei
como são caolhos
fiz o certo: só neguei"

sábado, 3 de outubro de 2009

"Eu sou um poeta das ruas
das metrópoles, selvagens metrópoles
só conheço, no chão, os corpos moles
e nos becos, as crianças nuas

Eu sou um poeta da selva
da biologia, só conheço a competição
e do "nós menos um", a subtração
eu existo, sem voto de minerva

Agora sou um poeta com uniforme; CALCULAR !
Eu sou um poeta do curso, fazendo vestibular
domino todo (o) mundo,
mas não a realidade
o resto é imundo,
se "x = saúde mais idade"

Tenho todas as fórmulas, eles a fome
Passar! - Passar! - Passar!
Mesmo sem nome

Eu não sou um poeta
fazendo vestibular."

Vestibular
O vestibular é o ápice de todas as falhas no nosso sistema de ensino. Essa "peneira" deixa todos os já mal preparados vestibulandos ainda mais perdidos e alienados, já que nada na vida é mais importante do que ter suas questões certas, não importa se ao teu lado milhares morrem todo dia de maneiras diferentes, ou se o aluno, que nunca teve uma educação como a tua, tentar beliscar um lugarzinho pra ele ali, mesmo conciliando trabalho, estudo e mais trabalho num dia só.
O vestibular é o ponto mais importante da vida de um estudantee é o pior. Em todos os sentidos. É o grito da exclusão social, com o grito do fascismo dos jovens, implantado pela mídia, é uma "luta de classes".
Esse processo aliena e machuca, muito. Nenhum país sério dos quais visitei utiliza tal forma de "peneira".

Cotas
As cotas são sim, certas, é claro que são. Vivemos numa das sociedades mais injustas do planeta, onde o "mérito acadêmico" é apresentado como o resultado de avaliações objetivas e não influenciadas pela profunda desigualdade social existente. O vestibular está longe de ser uma prova equânime que classifica os alunos segundo sua inteligência. As oportunidades sociais ampliam e multiplicam as oportunidades educacionais.
Realistas devemos ser. Simples.

MT 03/10/09

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Rerevolução

Revolução: s.f. Ato ou efeito de revolucionar ou de revolver; sublevação, rebelião, revolta, insurreição (Dicionário Aurélio)

A Revolução é um diamante. Ela há de ser lapidada, de maneiras, formas e tecnologias diferentes.
Assim também é com o conceito de revolução. A sua essência, como dada no dicionário Aurélio, é praticamente imútavel, mas seus atos, meios, sofrem uma mudança constante.

Para mudar o mundo, devemos mudar a nós mesmos, como canta Keny Arkana, no seu ótimo CD "Entre Ciment et Belle Etoile".

O conceito de Rerevolução inicia, primeiro, com nós. Não existe nenhum tipo de mudança benéfica social sem a conscientização e educação das pessoas, do nosso eu. Essa educação deve ser de prioridade não-alienatória. Ela é o maior bem da humanidade, mas se torna quase inútil perante os meios midiáticos e políticos de alienação. Um aluno 10 alienado é um perigo social em potencial. Qualquer pessoa consciente é um revolucionário em potencial.

A educação não-alienatória é constituída de vários pontos, que serão abordados nesse espaço.
Dou o primeiro passo aqui, e finalizo com ninguém menos que Bertold Brecht, com "seu" Analfabetismo Político:

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. "


MT 1/10/09